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Cabelos por um fio |
RIO DE JANEIRO - Os cabelos andam caindo? Nem sempre o arsenal cosmético de um salão de cabeleireiros dá conta do problema. Às vezes, soluções mais radicais são necessárias. Começando por exames que façam um diagnóstico da saúde dos fios a um tratamento completo de recuperação. Se nada disso resolve, a saída é a colocação de fios, transformando cabelos antes ralos e curtos numa cabeleira farta e comprida.
Quem entra no Ateliê Jakbell e procura o terapeuta capilar Hélcio Fiszpan pode estranhar o nível de detalhe a que chega a consulta. Como é a alimentação, o estilo de vida, bagagem hereditária, que remédios está tomando, se há queixas de problemas hormonais, ou se está passando por uma fase de maior estresse. A anamnese criteriosa procura avaliar o cotidiano do cliente e os possíveis fatores que possam estar levando à queda de cabelos. Para uma análise ainda mais profunda, ele usa um tricograma, exame em que se tem um prognóstico do crescimento dos fios e que serve como parâmetro para o tratamento.
O ciclo de crescimento e queda do cabelo
Como ensina Hélcio, cada fio tem vida própria e em geral se desenvolve por cinco a seis anos. É o que se chama de fase anagênica, ou de crescimento. Depois desse tempo, durante dois ou três dias, a raiz passa por alterações que sinalizam o começo de uma nova fase, a talogênica. É quando os fios começam a se desprender da derme e a se soltar, permitindo assim o surgimento de um novo fio no lugar. E o ciclo começa novamente.
Entre queda e crescimento os fios se renovam. O que é pouco visível, já que entre 85% e 90% dos fios estão em fase anagênica, ou seja, de crescimento. Enquanto de 18% a 20%, normalmente, estão na fase talogênica. Portanto, a queda dos fios só começa a preocupar quando ultrapassa estes limites. “De 30% a 40%, significa uma queda excessiva”, afirma o terapeuta. Para deter o processo, Hélcio Fiszpan recorre a um tratamento holístico. Que compreende desde uma abordagem mais ampla, em que conta com o apoio de um mineralograma — a análise mineral dos fios —, de um médico ortomolecular, ao tratamento tópico propriamente dito, com aromaterapia e minerais.
Em geral, o primeiro passo é uma completa desintoxicação do couro cabeludo com um gel que tem em sua composição óleo essencial de hortelã. O objetivo é eliminar impurezas, numa limpeza profunda da camada superficial da pele. “Grande parte das vezes, as quedas de cabelo estão associadas a estados emocionais ou a deficiências nutricionais do organismo. Como tem um desenvolvimento celular rápido, o cabelo pode ser considerado um reflexo do estado deste organismo”, fala Hélcio.
Nestes casos, minerais e óleos essenciais da aromaterapia são de grande ajuda. Mas Hélcio frisa que igualmente importante é a massagem manual que visa soltar o couro cabeludo. Ele costuma usar cinco linhas de óleos para os diversos problemas. Casos de seborréia, por exemplo, são tratados com óleo de lavanda para acalmar as glândulas sebáceas. Quando é o caso de ativar a circulação sangüínea, óleo de limão; ou de junípero, que além de estimular o crescimento capilar é um vasodilatador.
“De acordo com os resultados do mineralograma, também faço aplicações de pequenas dosagens de minerais tópicos, como zinco, ferro, enxofre e manganês”, diz o terapeuta capilar. As dosagens são sempre pequenas: oito a dez gotas de óleos essenciais e dez a 15 de minerais em líquido. Os resultados, porém, logo começam a aparecer. O primeiro deles é fazer cessar a queda. Não é à toa que muitos homens, preocupados com a calvície, o procuram.
Como os cabelos crescem a uma média de 1,5cm por mês, guardadas as diferenças individuais, este também é mais ou menos o tempo que leva para os resultados começarem a aparecer. Ou seja, como o tricograma mostra as condições de crescimento capilar numa amostragem padrão, e como fatores internos e externos podem alterar este desenvolvimento, é possível ver se com o tratamento os fios recuperaram sua capacidade normal de crescimento.
O que também vale para as agressões que costumam enfraquecer os cabelos, como tinturas, alisamentos e permanentes. “É o que costuma intoxicar o couro cabelo e enfraquecer os cabelos. Casos em que os fios ficam porosos e caem, em que é preciso desintoxicar e revitalizar”, avalia Hélcio. Prejuízos que serão mais graves se atingirem a medula (parte mais interna) do fio, como a química forte dos alisamentos e permanentes; se chegarem à parte mediana, como as tinturas com amônia; ou se limitarem-se à cutícula, as escamas que recobrem a parte mais superficial do fio.
Partindo para mudanças radicais de visual
Vitaminas, aminoácidos, algas e aloe vera completam o tratamento em mais uma sessão de massagem. Ao todo, são cerca de 40 minutos no salão, passando-se por todas as seqüências. Se, com todos estes recursos, falta a paciência para esperar os resultados e a escolha é por uma saída mais radical, Hélcio guarda ainda uma carta na manga. Além de apliques de cabelo natural, ele pode indicar técnicas de alongamento — diferentes de acordo com o visual desejado. megahair, trançado, weaving, hair long. Fios colados, trançados ou entrelaçados aos fios naturais ou ainda um aplique sob medida permitem mudar inteiramente a aparência de uma cabeleira rala para cabelos fartos sacudindo ao vento.
“O tricograma é fundamental para avaliar o quanto o cabelo suporta as diferentes técnicas de alongamento”, diz. Mesmo optando por uma delas, é preciso alguns cuidados. Hélcio enfatiza a preocupação necessária com a higiene - para evitar o acúmulo de resíduos que possam comprometer o crescimento dos fios e o tempo de uso. “Os alongamentos não devem ser mantidos por muito tempo. O ideal é deixar por no máximo oito meses, trocando-o no quarto mês. Isto porque o cabelo cresce e as raízes começam a aparecer, comprometendo o visual”, enfatiza.
Ele também alerta que manter um alongamento por períodos muito prolongados pode danificar a raiz, impedindo o crescimento de novos fios. Naturais ou alongados, o alerta é um só. Cabelos bonitos precisam de cuidados. “É preciso entender a filosofia do tratamento capilar”, resume Hélcio.